Proibido pra mim, no way
Foi num tempo em que eu buscava incessantemente príncipes e colecionava sapos.
Tinha certeza que amor e sexo são duas coisas independentes, linhas que correm paralelas e só se encontram no infinito mas, ainda assim, ficava tentando juntar “detalhes tão pequenos de nós dois”. Escrevia poesias em guardanapos de barzinho; como uma náufraga fazendo apelo, balançava os bracinhos na busca de alguma coisa que hoje tenho certeza que não existe. Tentava a todo custo criar uma trilha sonora para a minha vida e transformava tudo em novela mexicana.
Não me lembro do exato momento em que ele apareceu, só lembro que era verão e as tardes eram quentes. Era virtual e atendia pelo nome de Oráculo. Inteligente sem ser chato, gentil sem ser piegas, doce quando necessário. Gostava de chocolate, ficção histórica, gatos e sonhava em ter uma pousada no sul da Bahia. Falava em Deus com a intimidade de quem conviveu com ele mas questionava coisas, como um anjo rebelde.
Foram meses de palavras trocadas e nenhuma jura secreta de amor. Eu usara o golpe baixo da foto que não era minha mas não resisti e contei a verdade quando ele me falou das coisas do céu.
O contato era virtual mas as emoções eram reais. Eu, enlouquecida do lado de cá do telefone e ele com aquele ar blasé do outro lado da linha. Trocávamos sensações e testávamos emoções à distância, que me arrepiavam os pelos e me excitavam.
Ele não me parecia exatamente o amante latino, o Antonio Banderas do LPP. Na verdade, às vezes tinha atitudes assexuadas ou hermafroditas, como as plantas que ele olhava pacientemente através do microscópio. Ah, como eu invejava aquelas plantas que passavam a tarde toda ao lado dele...
E eu criei um mito. E desejei esse mito cada minuto da minha vida naqueles dias quentes, até que finalmente chegou o momento de dar cor, cheiro e paladar ao que até então era delírio.
Eram quase dez horas quando eu cruzei pela primeira vez com aquele olhar. Meu Deus, o olhar... não era humano, era etéreo. O sorriso era contido porém gentil e a camisa não era de abotoar, o que na minha cabeça soou como um aviso: no nosso roteiro, a camisa sempre tinha botões na frente e era só desse jeito que eu sabia começar.
Ele era lindo, na medida em que são lindas as criaturas que parecem ser de mármore. Conversamos amenidades, bobagens meigas mas eu já dava como irremediavelmente perdida a tão desejada noite de “amor”. Não havia um clima de romance mas hoje percebo que a cumplicidade era grande e havia o mais sublime dos sentimentos: a afinidade.
Era madrugada quando finalmente o que era plano virou obra, o que era sonho virou fato. E eu tive a mais perfeita noite de amor dentre as inúmeras que tive ao longo das minhas quatro décadas. O roteiro perfeito que virou filme e depois um “best seller” de todas as histórias deliciosas que a vida em permitiu viver e relembrar.
E eu descobri, perplexa, que existiam seres que me levavam ao gozo sem me prometer mentiras; me tocavam o corpo sem se importar com as formas; que me faziam fêmea sem me subjugar.
Volto a fita para conjugar os verbos no singular. Aquele foi um momento único, ímpar e derradeiro. Sem falsas juras e sem promessas vãs. Um corpo que num momento se fundiu ao meu e que ficou tatuado, de forma definitiva, no meu tesão.
Estaria mentindo se dissesse que lembrei dele a cada dia, depois daquele 5 de fevereiro. Nos anos que se passaram, foram poucas as vezes em que falei seu nome e relembrei essa história. Na verdade, ela só foi e é citada nos momentos de sublime inspiração e indescritível prazer. É a minha melhor história.
Eu levei a vida inteira ouvindo dizerem que os anjos não tem sexo. Vejam só, mentiram pra mim! Os anjos tem sexo sim e fazem amor com perfeição.
Tinha certeza que amor e sexo são duas coisas independentes, linhas que correm paralelas e só se encontram no infinito mas, ainda assim, ficava tentando juntar “detalhes tão pequenos de nós dois”. Escrevia poesias em guardanapos de barzinho; como uma náufraga fazendo apelo, balançava os bracinhos na busca de alguma coisa que hoje tenho certeza que não existe. Tentava a todo custo criar uma trilha sonora para a minha vida e transformava tudo em novela mexicana.
Não me lembro do exato momento em que ele apareceu, só lembro que era verão e as tardes eram quentes. Era virtual e atendia pelo nome de Oráculo. Inteligente sem ser chato, gentil sem ser piegas, doce quando necessário. Gostava de chocolate, ficção histórica, gatos e sonhava em ter uma pousada no sul da Bahia. Falava em Deus com a intimidade de quem conviveu com ele mas questionava coisas, como um anjo rebelde.
Foram meses de palavras trocadas e nenhuma jura secreta de amor. Eu usara o golpe baixo da foto que não era minha mas não resisti e contei a verdade quando ele me falou das coisas do céu.
O contato era virtual mas as emoções eram reais. Eu, enlouquecida do lado de cá do telefone e ele com aquele ar blasé do outro lado da linha. Trocávamos sensações e testávamos emoções à distância, que me arrepiavam os pelos e me excitavam.
Ele não me parecia exatamente o amante latino, o Antonio Banderas do LPP. Na verdade, às vezes tinha atitudes assexuadas ou hermafroditas, como as plantas que ele olhava pacientemente através do microscópio. Ah, como eu invejava aquelas plantas que passavam a tarde toda ao lado dele...
E eu criei um mito. E desejei esse mito cada minuto da minha vida naqueles dias quentes, até que finalmente chegou o momento de dar cor, cheiro e paladar ao que até então era delírio.
Eram quase dez horas quando eu cruzei pela primeira vez com aquele olhar. Meu Deus, o olhar... não era humano, era etéreo. O sorriso era contido porém gentil e a camisa não era de abotoar, o que na minha cabeça soou como um aviso: no nosso roteiro, a camisa sempre tinha botões na frente e era só desse jeito que eu sabia começar.
Ele era lindo, na medida em que são lindas as criaturas que parecem ser de mármore. Conversamos amenidades, bobagens meigas mas eu já dava como irremediavelmente perdida a tão desejada noite de “amor”. Não havia um clima de romance mas hoje percebo que a cumplicidade era grande e havia o mais sublime dos sentimentos: a afinidade.
Era madrugada quando finalmente o que era plano virou obra, o que era sonho virou fato. E eu tive a mais perfeita noite de amor dentre as inúmeras que tive ao longo das minhas quatro décadas. O roteiro perfeito que virou filme e depois um “best seller” de todas as histórias deliciosas que a vida em permitiu viver e relembrar.
E eu descobri, perplexa, que existiam seres que me levavam ao gozo sem me prometer mentiras; me tocavam o corpo sem se importar com as formas; que me faziam fêmea sem me subjugar.
Volto a fita para conjugar os verbos no singular. Aquele foi um momento único, ímpar e derradeiro. Sem falsas juras e sem promessas vãs. Um corpo que num momento se fundiu ao meu e que ficou tatuado, de forma definitiva, no meu tesão.
Estaria mentindo se dissesse que lembrei dele a cada dia, depois daquele 5 de fevereiro. Nos anos que se passaram, foram poucas as vezes em que falei seu nome e relembrei essa história. Na verdade, ela só foi e é citada nos momentos de sublime inspiração e indescritível prazer. É a minha melhor história.
Eu levei a vida inteira ouvindo dizerem que os anjos não tem sexo. Vejam só, mentiram pra mim! Os anjos tem sexo sim e fazem amor com perfeição.